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Proposta de reforma administrativa da Embrapa é criticada em audiência na Câmara

8/7/2022
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A proposta do governo Bolsonaro de realizar uma reforma administrativa na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) foi duramente criticada por especialistas e trabalhadores da empresa durante audiência pública realizada, nesta quinta-feira (7), na Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público (CTASP) da Câmara Federal. 

A deputada federal Erika Kokay (PT-DF), autora do requerimento que deu origem ao debate, defendeu a Embrapa e criticou a iniciativa do governo Bolsonaro.  “Discutir a Embrapa significa discutir a soberania nacional e os interesses do povo brasileiro”, disse a parlamentar.

Erika criticou o projeto de reestruturação intitulado “Transforma Embrapa”. “É uma reestruturação como instrumento de lucro, que estaria sendo financiada por instituições que têm uma concepção de Brasil de boiadas e de cercas. Esta empresa não pode servir ao agronegócio e àqueles que acham que podem dominar este país”, criticou. “Estão ferindo o caráter público da instituição”, completou.

A parlamentar enalteceu a resistência dos trabalhadores e trabalhadoras da empresa e falou da luta que estão travando para manter a Embrapa pública.

“Há muita coragem dos trabalhadores e trabalhadoras da Embrapa para efetivar a resistência e defender uma instituição que está relacionada com o desenvolvimento científico, tecnológico e com a pesquisa no Brasil. Vamos seguir trabalhando na construção da Embrapa como uma empresa democrática, inclusiva e pública”, disse Kokay.

Reforma ou deforma?

Especialistas e trabalhadores debateram as consequências do projeto de reestruturação para a empresa e a produção de alimentos no Brasil.

Dione Melo, diretora-geral do Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário (SINPAF) criticou duramente a proposta do “Transforma Embrapa”.

“Estamos falando do ‘Transforma Embrapa’, que muitos de nossos colegas têm chamado de ‘deforma Embrapa’, ‘deforma administrativa’, ‘desmonte da Embrapa’ e privatização velada”, disse. 

“A Embrapa não pode ser transformada em um empreendimento comercial com uma placa: ‘aceitamos encomendas de pesquisa. Valores a combinar”, afirmou.

Todas as justificativas falam em eficiência, eficácia e modernidade. Onde se fala das pessoas? As pessoas estão apavoradas com esta reestruturação.  Falam muito em modernizar e diminuir custos, mas a empresa já gastou R$ 100 milhões com um software que não funciona. É um escândalo”, denunciou, ao criticar que a reestruturação não está sendo debatida com os trabalhadores e a sociedade.

Seguindo na mesma linha, Mário Artemio Urchei, diretor de ciência e tecnologia do SINPAF e Pesquisador da Embrapa, disse que a iniciativa de destruir a empresa é protagonizada pelo governo federal e que a atual diretoria da empresa tem sido porta-voz desse processo desmonte e privatização. 

“Em meio ao descaso com a ciência e tecnologia, a Embrapa passa por um violento processo de fragilização e ruptura institucional, acentuados pela incompetência da atual gestão. Vivemos um ambiente interno autoritário, de perseguição e retaliação contra aqueles que questionam qualquer tipo de ação tomada pela gestão da empresa. Assédio moral e organizacional são cotidianos. Não temos democracia e respeito à liberdade de pensamento”, analisou.

“Recorrentes cortes orçamentários estão levando a empresa ao precipício”, lamentou o pesquisador. 

Os debatedores falaram, ainda, da importância da empresa para o desenvolvimento agrícola do país e das consequências desastrosas do modelo de reestruturação que privilegia o agronegócio exportador.

Mario Artemio disse que a agenda da empresa tem sido direcionada para atender ao grande agronegócio, fundamentado num modelo agrícola dominante, baseado na produção de commodities para exportação em grandes extensões de terras e em monocultivos, com uso intensivo de agrotóxicos, emprego de máquinas e fertilizantes químicos solúveis.

“Privilegiar o modelo agroexportador tem trazido consequências desastrosas para o país, com impactos sociais e ambientais. O modelo do agronegócio tem concentrado riqueza, terra e poder nas mãos de um reduzido número de produtores e empresas transnacionais do sistema agroalimentar”, avaliou. 

“A agricultura familiar tem sido prejudicada com esse modelo agrícola. A população urbana também tem sido afetada, por consumir alimentos cada vez mais caros e contaminados pelo uso intensivo de agrotóxicos”, questionou.

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