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Fórum busca diferenças e não o consenso, defende sociólogo

26/1/2006
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“Ainda temos de radicalizar nas coisas em que não temos sido eficientes”, propôs o sociólogo Cândido Grzybowski, diretor do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase). Cândido representou o grupo de oito entidades que, pela primeira vez, em Porto Alegre, organizou o fórum. E apontou que o maior desafio do encontro é balancear a diversidade de organizações com a conjunção de propostas.

“Como ingressar todos no debate, sem entrar na fragmentação total?”, questionou à platéia de cerca de 300 pessoas. “Não procuramos o consenso, mas valorizar nossas diferenças”, resumiu.

Uma das diferenças entre os organizadores era a idéia do Fórum apoiar oficialmente determinadas causas. “Todas as propostas que temos são boas, mas o Fórum não pode ser uma instância que referende essas idéias”, afirmou Cândido. A opinião não é compartilhada por Irene León, da Agência Latino-americana de Informação (Alai) e uma das responsáveis pelo 1º Fórum Social Américas.

“Na nossa experiência, apoiamos claramente o governo cubano diante do embargo dos Estados Unidos e não vejo problemas nisso”, apontou ela.

Há hoje, entretanto, mais sintonia na idéia de que o Fórum deve estreitar sua relação com o cenário político. “Os movimentos sociais são autônomos. Mas, se não se vinculam às situações reais, não têm como responder às necessidades dos povos”, disse Jacobo Torres, da Força Bolivariana de Trabalhadores, uma corrente sindical venezuelana.

Ele defendeu que as organizações que participam do Fórum discutam a nova realidade política latino-americana, com a eleição de partidos com origem na esquerda.

“Temos de incidir mais na sociedade e avançar no diálogo com governos”, defende Cândido. Para ele, essa incidência deve ser feita por meio de lançamento de campanhas, “aproveitando o momento do Fórum”.

Fonte: Daniel Merli /Agência Brasil

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