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Erika contesta senador que atacou a Caixa na CPI dos Bingos

21/2/2006
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Veja, abaixo, a íntegra do documento enviado pela deputada ao senador:

Excelentíssimo Senhor

Senador da República

Álvaro Dias

Prezado Senador,

Foi com extrema tristeza que li reportagem na qual Vossa Excelência encaminhou à CPI dos Correios documento sobre suposta irregularidade cometida pela Caixa Econômica Federal em negociação com o Banco BMG. O teor da mesma atingiu profundamente o funcionalismo da Caixa, cujos compromissos com a instituição e com o País são de absoluta dedicação, competência e seriedade.

Gostaria de esclarecer a Vossa Excelência que até o dia 30 de janeiro do corrente a Caixa já emprestou R$ 740 milhões para contratações habitacionais, o que propiciou atendimento a mais de 32 mil famílias.

Para este ano, a Caixa dispõe de R$ 10,3 bilhões para o financiamento imobiliário em todo o País. O maior crédito habitacional já disponibilizado por um governo federal desde a época do extinto BNH.

Acredito que esses excelentes resultados o incomodaram a ponto de dar crédito a um documento de análise não definitiva, utilizado apenas para colaborar nas decisões adotadas pela Caixa.

Sendo Vossa Excelência do mesmo partido do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e do candidato derrotado na última eleição presidencial, José Serra, é compreensível a inconformidade com os excelentes resultados alcançados pela Caixa, tantas vezes ameaçada de privatização durante os oitos anos de governo Fernando Henrique. Esses oitos anos marcaram um período de reajuste zero para o funcionalismo e de perseguições e truculências, que culminaram com demissões sumárias no Banco do Brasil e a adoção da imperdoável RH 008 na Caixa.

Cabe lembrar que durante o governo FHC as taxas de juros chegaram a 45%, a dívida pública saltou de R$ 67 bilhões para R$ 670 bilhões, com crescimento de 23% para 58% do PIB, foram privatizadas mais de 130 empresas estatais, a taxa de novos postos de trabalho foi de apenas oito mil empregos por mês, o que levou o desemprego a níveis absurdos. Daí deduzir-se a inconformidade de Vossa Excelência com os resultados obtidos pela política econômica do governo Lula e o trabalho que vem sendo desenvolvido pela Caixa.

A Caixa tem um papel social que incomoda aqueles sem compromisso com o Estado, com o seu fortalecimento, com ações voltadas para a população, em especial a de baixa renda.

Ao longo de seus quase 150 anos a Caixa consolidou-se como principal instrumento de política social do nosso país. Está presente na vida de mais de cinco milhões de brasileiros através de sua imensa rede de serviços, detém a liderança nos depósitos em poupança, que representam 31,4% do conjunto das instituições financeiras, além de 50% do total de financiamentos habitacionais do país, sendo 95% destes destinados à população de baixa renda.

Ao mesmo tempo, a Caixa repassa recursos para diversos programas de saneamento básico e infra-estrutura urbana, estando presente em 82% dos municípios brasileiros.

No ano passado, as receitas com operações de crédito da Caixa cresceram 27,9% e foram as principais responsáveis pelo lucro de R$ 937 milhões (no primeiro semestre), com crescimento superior a 50%, no mesmo patamar dos bancos privados, tão elogiados por Vosso partido.
Também em 2005 a Caixa contratou mais de R$ 10,6 bilhões em habitação e desenvolvimento urbano, o maior investimento em habitação dos últimos dez anos.

Como empregada da Caixa há 24 anos solidarizo-me com todo o corpo funcional desta instituição, que já enfrentou diversas tentativas de desmoralização e privatização e que, tenho certeza, não fugirá da luta se novamente chamado a defender este verdadeiro patrimônio do nosso país.

Por fim, para que Vossa Excelência possa desconstruir o ódio ideológico que alimenta para com a Caixa, com um a concepção privatista que tanto ameaçou a instituições em governos anteriores, me pauto em dados sobre a operação em tela, tão atacada por Vossa Excelência, analisados pelos ex-ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega:

1. A Caixa obteve lucro imediato da ordem de R$ 60,7 milhões na transação com o BMG, sem contar os ganhos com os serviços decorrentes dessa transação.

2. O ?ponto negativo? apontado no relatório da Suric ?se tratava apenas de um alerta normal quanto ao novo tipo de operação para a Caixa?.

3. ?A partir dessa advertência ? não impeditiva de se fazer um negócio ? todos os fluxos operacionais, financeiros e tecnológicos da operação foram identificados e mitigados com a criação de uma estrutura específica para a implementação e o controle de operações desta natureza?.

4. ?Em síntese, tratou-se de uma operação regular, realizada dentro do contexto do mercado financeiro, não se identificando qualquer benefício ao BMG que possa ser considerado incomum. Ao contrário, a CEF adquiriu uma carteira de crédito de qualidade, construída pelo BMG, instituição líder nesse mercado e no qual a Caixa já havia manifestado interesse em aumentar sua participação?.

Atenciosamente,

Erika Kokay
Empregada da Caixa
Deputada distrital (PT)

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