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Erika Kokay: “O projeto do viaduto do Sudoeste é uma demonstração de arrogância”

A construção do novo viaduto da EPIG, que ligará o Sudoeste ao Parque da Cidade, foi tema de audiência pública, nesta quinta-feira (02), na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). Segundo a deputada federal Erika Kokay (PT-DF), o projeto elaborado pelo governo local é nocivo e desrespeita uma série de legislações. “Estamos falando do impacto ambiental, com a derrubada de árvores, da falta de estudo de impacto de vizinhança, da agressão à área tombada e à vida das pessoas”, afirmou.

 

A parlamentar destacou que o estatuto das cidades diz que uma cidade tem de ser um lugar onde as pessoas se encontram e que a centralidade da organização urbanística está na própria pessoa, “mas vamos ver que esses princípios foram desrespeitados”.

A pretensão do GDF é construir um grande anel viário, transformando a Avenida das Jaqueiras em uma via expressa e o Parque da Cidade em um corredor viário para escoar cerca de 25 mil carros por dia. O trevo ocupará uma área de 10 mil metros quadrados. Só para dar conta da drenagem das águas pluviais, está sendo duplicado dentro do parque uma bacia de contenção com capacidade para 200 mil metros cúbicos. Ao total, o projeto ainda prevê a remoção de 783 árvores.

“É uma desfiguração do bairro e do parque. Nenhuma intervenção poderia ignorar o impacto que trará na vida das pessoas. Temos uma área tombada em suas escalas, que estão sendo descontruídas”, disse Erika Kokay.

A deputada destacou que um estudo técnico do Iphan, com treze recomendações para a construção do complexo viário, foi ignorado pelo superintendente do órgão. Por isso, ela trabalha para que a Câmara Federal convoque o dirigente a prestar esclarecimentos sobre essa decisão. “É absolutamente inadmissível que um estudo técnico seja desrespeitado. O Iphan não existe para anteder os interesses de quem está no governo, mas para preservar o patrimônio histórico.”

Erika disse, ainda, que é muito importante a luta da sociedade contra o projeto apresentado. “É preciso que a própria comunidade possa se posicionar sobre o local onde ela vive. Já estivemos com várias entidades para impedir que se concretize esse atentado, porque esse projeto é uma demonstração de uma lógica de arrogância deste governo”, pontuou.