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Familiares de presos denunciam precariedade e maus-tratos nos presídios do Entorno do DF

Em reunião, nesta quinta-feira (17), com defensores públicos do Estado de Goiás, a deputada federal Erika Kokay (PT-DF) pediu ajuda para enfrentar os problemas encontrados nos presídios da Região do Entorno do Distrito Federal. Nos locais, há denúncias de torturas, violência, superlotação, falta de comida e de água potável.

Erika, que é membro da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal, pretende fazer diligências nas unidades penitenciárias para verificar a situação delas, principalmente as de Aparecida de Goiânia, Águas Lindas e Novo Gama. No entanto, ela relatou dificuldade de comunicação com os responsáveis pelos presídios do estado goiano. “É muito importante que tenhamos contato para discutir essas denúncias”, frisou.

Participaram da reunião os defensores públicos Débora Vidal e Philipe Arapian, a deputada estadual Adriana Accorsi (PT-GO) e familiares de presos. “As pessoas estão privadas da liberdade, mas não dos direitos fundamentais. Precisamos avançar nessas questões”, disse Accorsi.

Segundo relatos dos familiares, as unidades prisionais estão em situação precária e os agentes os tratam com agressividade. “Já tive minha senha para entrega de alimentos diversas vezes rasgadas por eles, por não aguentar calada tanto desrespeito e grosseria”, disse uma parente de preso na reunião.

“A gente quer que nossos familiares cumpram suas penas com dignidade. Não queremos mordomia, apenas que as normas de execução penal sejam cumpridas. Não é bater neles e deixá-los machucados que vai resolver”, prosseguiu a mulher. Outro familiar contou que não vê o parente há mais de um ano. “A gente quer fazer visita, nem que seja depois de eles tomarem a primeira dose da vacina contra a Covid”, reclamou.

O pai de um detento revelou que os itens enviados aos presos não são entregues e o repasse de alimentos está vetado. “Sabemos que eles são constantemente agredidos lá dentro. Estão dormindo no chão”, contou.

Débora Vidal disse que a Defensoria Pública conhece todos esses problemas. “Com a pandemia tudo piorou, porque as agressões e o desrespeito que ainda não aconteciam, agora está acontecendo. E os responsáveis não fazem nada escondido, porque acham que o ‘excesso de rigor’ é disciplinarmente positivo.”

Philipe Arapian reforçou a fala da colega. Membro da área de Direitos Humanos do órgão, ele realiza diligências nos presídios do Estado. “O que temos encontrado é realmente preocupante. Chegamos ao ponto de lutar por água potável e comida”, confessou. Segundo ele, a Defensoria Pública de Goiás está disponível para fazer um calendário de visitas conjuntas com as parlamentares a fim de inspecionar as unidades prisionais.