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Violência, equidade de gênero e combate ao feminicídio não é luta menor, destaca Kokay

A deputada Erika Kokay (PT-DF) participou nesta segunda-feira (25) da sessão solene em comemoração ao Dia Internacional de Combate à Violência Contra a Mulher que aconteceu na Câmara dos Deputados. “Violência doméstica, equidade de gênero, combate ao feminicídio não é luta menor, não é cereja de bolo, não é chantilly do café, ela é estruturante para que possamos construir uma sociedade de paz. Os meninos e as meninas que veem a violência como natural tendem a repetir esse comportamento e tendem a acreditar que aquele que se sente mais forte pode anular e machucar o mais frágil”, alertou a deputada.

A sessão contou com a participação de várias mulheres vestidas com blusas pretas escrito basta. Para Erika, é muito importante que o Estado coloque como prioridade na agenda o combate a violência e que se tenha todas as políticas públicas alinhadas no enfrentamento as agressões sofridas pelas mulheres em todos os todos os espaços públicos.

“Por isso a importância de tantas cruzes simbolicamente colocadas hoje na Esplanada dos Ministérios, e as mulheres que se vestiram de preto, que disseram basta, que carregaram basta no peito e que fincaram cruzes para que nós não esqueçamos que são mais de 4 mil mulheres, para que nós não esqueçamos que o País não é livre com esse nível de feminicídio, para que nós não esqueçamos que ali não são 4 mil ou milhares de estatísticas, são pessoas que tiveram a sua condição de continuar vivas ceifadas”.

Em 1991, a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou esta data como o Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra a Mulher a fim de estimular que governos e sociedade civil realizem eventos anuais para extinguir a violência que destrói a vida de milhares de mulheres pelo mundo.

21 dias de ativismo

Internacionalmente são 16 dias de ativismo pelo fim da Violência Contra as Mulheres, mas no Brasil são 21 dias de ativismo que começa 20 de novembro, “Dia Nacional da Consciência Negra” e vai até 10 de dezembro, “Dia Internacional dos Direitos Humanos”.

Erika explicou que o ativismo começa no dia 20 porque as mulheres negras sofrem mais violência. “No Brasil são 21 dias, porque nós começamos no dia da imortalidade de Zumbi dos Palmares, entendendo que as mulheres negras sofrem mais violência do que as mulheres não negras, porque ali se abraçam dois tipos de discriminação que nós temos que enfrentá-los para que possamos ter uma sociedade de paz, onde a gente não tenha medo das ruas, nem tenha medo das noites”.

“Las Mariposas”

Em 25 de novembro de 1960 na República Dominicana, as irmãs Patria, Minerva e Maria Teresa – conhecidas como “Las Mariposas” – foram assassinadas pelo ditador Rafael Leónidas Trujillo. Em 1981, foi realizado o Primeiro Encontro Feminista Latino-Americano e do Caribe em Bogotá (Colômbia) as organizações de mulheres de todo o mundo decidiram homenagear as irmãs tornando a data como um dia para marcar a luta das mulheres contra a violência. A partir deste encontro o dia passou a ser conhecido como o “Dia Latino-Americano da Não Violência Contra a Mulher”.

Para Erika Kokay, as irmãs enfrentavam a ditadura na República Dominicana e foram vítimas de toda sorte de arbítrio. “Ali elas foram transformadas em mariposas, e mariposa passou a ser um símbolo da liberdade, um símbolo da existência humana plena que pressupõe não apenas a liberdade, mas pressupõe que nós sejamos donas de nós mesmas, que nós sejamos donas das nossas vidas, porque os nossos corpos têm que ser os nossos corpos, o nosso não é o nosso não, o nosso não, não pode passar pelo crivo do homem”.

Violência Doméstica

“É uma tortura a violência doméstica, ela não tem limites, vai esgarçando os direitos das mulheres. Toda mulher tem o direito de não ter medo de voltar para casa. É para casa que nós queremos voltar todos os dias, é para casa que queremos que os nossos filhos e nossas filhas voltem todos os dias, mas existem milhões de mulheres nesse País que tem medo de voltar para casa”, destacou Erika Kokay.

Segundo a ONU, em 2017 de 87 mil assassinatos contra a população do sexo feminino, 30 mil mulheres foram mortas pelos próprios companheiros em todo o mundo. De acordo com a parlamentar 85% das mulheres, no Brasil, tem medo de sofrer violência sexual e se são mães de meninas sentem o medo dobrado. Erika também destacou que a capital do país atingiu o maior nível de feminicídio já visto na cidade, desde que foi tipificar o feminicídio como feminicídio. São mais de 30 mulheres mortas neste ano no Distrito Federal.

“Que coragem que nós mulheres temos, é essa coragem, tendo consciência dela, que vai fazer com que se vista está camiseta, que se diga basta e que possamos construir um mundo onde sejamos donas das nossas vidas, das nossas falas, dos nossos corpos, do nosso futuro e do nosso presente. Não a violência contra as mulheres e viva as mariposas” finalizou a deputada.

 Lorena Vale do PT na Câmara