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UnB protocola ofício contra o Future-se

Representantes da Comissão em Defesa da UnB, composta por professores, estudantes e técnicos da universidade, entregaram Carta em nome da comunidade acadêmica rejeitando a adesão da instituição ao Future-se. O documento fundamenta-se em estudos jurídicos elaborados pelas assessorias da Associação dos Docentes da UnB (ADUnB), do SINTFUB e pela análise do GT constituído pela administração superior da universidade para avaliar o projeto do governo federal.

 

O ato de hoje marcou a data limite apontada pelo Ministério da Educação (7 de agosto) para que a reitoria da UnB entregasse ao ministério estudo de viabilidade e impactos do "Programa Institutos e Universidades Empreendedoras e Inovadoras – Future-se" nas rotinas acadêmicas e administrativas da instituição. "Cada um de nós tem uma história de luta, tem um compromisso com a Educação Pública. As conquistas do ensino gratuito brasileiro foram alcançadas com muita luta. Não podemos permitir retrocessos", afirmou o presidente da ADUnB, Luis Antonio Pasquetti, durante ato realizado na entrada do MEC na manhã de hoje (7).

 

A deputada Erika Kokay (PT-DF) afirmou que o Future-se é mais um instrumento do governo Bolsonaro para retirar direitos. "Governo ataca a educação pública porque quer entregar a educação brasileira nas mãos do mercado financeiro. Não vamos permitir que tudo o que foi conquistado com coragem, determinação e dor seja desconstruído", afirmou Kokay.

 

Representando os estudantes, Gabriel Silva ressaltou que o modelo proposto pelo Future-se pode retirar da universidade a importante função da inclusão social, prejudicando alunos provenientes de famílias de baixa renda. "É preciso pensar nos estudantes que têm dificuldade de ingressar e se manter no ensino superior. Não vamos deixar que nossa universidade seja privatizada. Os estudantes estarão firmes, estaremos nas ruas no grande ato do dia 13 de agosto", disse, referindo-se à greve geral que reunirá todas as categorias de trabalhadores às 10h, no Museu Nacional, na próxima terça-feira.

 

O presidente do SINTFUB, Edmilson Rodrigues de Lima, conclamou os cidadãos e as cidadãs brasilienses a participarem da plenária aberta da UnB que reunirá professores, estudantes e servidores técnicos para debater o futuro do ensino gratuito. "Esse ato é um movimento nacional de defesa da Educação Pública do nosso país. Então, no dia 16 de agosto, às 12h, no Ceubinho, vamos realizar uma grande plenária e convidamos a todos e todas a se incorporarem nessa luta em defesa da UnB."

 

Uma cópia do documento protocolado no MEC também foi apresentado na Reitoria da UnB. A carta do comitê em defesa da universidade foi entregue ao chefe de gabinete Paulo César Marques. Ele afirmou que a reitoria participará da plenária aberta do dia 16 para debater com a comunidade da UnB os impactos do Future-se na instituição. Análise do GT constituído pela administração superior concluiu que o Future-se compromete a autonomia universitária e desobriga o Estado do financiamento da educação superior pública brasileira, conquista histórica dos movimentos pela educação.

 

Matéria publicada originalmente no site da AdUnB