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Cocaína em avião da FAB: Erika Kokay cobra medidas para impedir nova humilhação internacional do Brasil

“Estamos lidando com um fato extremamente grave, com 39 kg de cocaína que foram encontrados num avião presidencial. E o presidente da República diz ‘que pena que não foi flagrado na Indonésia’. Eu digo, que pena que não foi flagrado no Brasil. Como é possível não se fazer uma vistoria que se detecte esse volume de drogas num avião presidencial”, disse a deputada federal Erika Kokay (PT-DF) durante audiência pública conjunta das Comissões de Direitos Humanos e Minorias e a de Relações Exteriores e Defesa Nacional que discutiu a apreensão de 39 kg de cocaína com sargento da Força Aérea Brasileira (FAB) durante um voo da comitiva brasileira rumo ao G20, no Japão.

“A falha não foi um azar. Isso é de uma gravidade institucional sem tamanho”, completou Kokay, ao cobrar medidas para que o Brasil tome medidas efetivas para não ter sua imagem maculada em âmbito mundial.

A audiência foi uma oportunidade as explicações do general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e de representantes da FAB e do Ministério da Defesa.

O general Augusto Heleno Ribeiro Pereira, ministro do GSI, afirmou que “isso não acontecerá de novo, as medidas de prevenção serão reforçadas, o fato vai ser devidamente apurado e quem estiver envolvido vai responder pela irregularidade que cometeu”.

Questionado sobre a capacitação das tripulações, o general afirmou que os profissionais “são escolhidos a dedo e são militares diferenciados pela atitude, formação e dedicação às tarefas que desenvolvem”.

Augusto Heleno informou ainda que tanto o inquérito administrativo como o militar vão apurar se houve a participação de mais pessoas, assim como investigará o padrão de vida do sargento Rodrigues.

“Há 80 anos o GSI é responsável pela segurança de presidentes da república  e nunca houve um incidente”, diz Augusto Heleno.

“Então não procedem as acusações de incompetência. O sargento não tinha antecedentes, era um militar exemplar e avaliado constantemente, por algum motivo foi desviado para esse ilícito”.

O general informa que as investigações têm prazo de 40 dias para terminar e que o caso deve ser enviado ao Superior Tribunal Militar.

Além dos inquéritos abertos no GSI e na Aeronáutica, o sargento Manoel Silva Rodrigues responde a um inquérito aberto pela Polícia Federal para saber se alguém financiou o transporte da cocaína e se o sargento tem ligações com outras pessoas nesse crime.

O representante do Ministério da Defesa, tenente-brigadeiro do ar Carlos Almeida Júnior, afirma que o caso é uma “exceção aos nossos valores e princípios, inaceitável em nosso meio e não seremos complacentes com qualquer desvio de conduta como este”.

Almeida Júnior informou que, quando o fato aconteceu, todo o comando da Aeronáutica estava reunido e decidiu pela mudança de rota do segundo avião, que levava o presidente Jair Bolsonaro, para evitar mais constrangimentos. O avião da presidência também faria escala em Sevilha, mas foi para Lisboa, Portugal.

A pedido da Aeronáutica, o Ministério da Justiça solicitou hoje cooperação jurídica internacional à Espanha. É um pedido formal do Brasil às autoridades espanholas para acesso a depoimentos e provas colhidos na investigação aberta naquele país.

Carlos Amaral Oliveira e o representante do comandante da Aeronáutica, Antônio Moretti Bermudez, explicam que a escolha de Sevilha para a escala técnica foi por questões operacionais como a capacidade de abastecimento da aeronave.

Ele ressalta que o inquérito militar deve apurar também se a droga apreendida tinha como destino a Espanha ou o Japão. “Sempre adotamos os procedimentos administrativos necessários e o julgamento será à altura da confiança depositada pela sociedade nas Forças Armadas”.

A audiência foi solicitada por Arlindo Chinaglia (PT/SP), Perpétua Almeida (PCdoB/AC), David Miranda (PSOL/RJ), Glauber Braga (PSOL/RJ) e Érika Kokay (PT/DF). Presidiram o debate os presidentes da CDHM, Helder Salomão (PT/ES) e da CREDN, Eduardo Bolsonaro (PSL/RJ).

 

Com informações da CDHM Câmara