Noticias

Cortes orçamentários do governo Bolsonaro ameaçam UnB e IFB

Os cortes orçamentários promovidos pelo governo Bolsonaro ameaçam o funcionamento da Universidade de Brasília (UnB) e do Instituto Federal de Brasília (IFB) já a partir do segundo semestre deste ano. A afirmação foi feita em tom de grave preocupação por parte dos representantes das instituições, durante sessão solene da Câmara Federal, realizada na sexta-feira (07/06), em defesa da UnB e do IFB. A solenidade foi uma iniciativa da deputada federal Erika Kokay (PT-DF).

O reitor substituto do IFB, Adilson César Araújo, afirmou que se a educação tem um compromisso com o futuro é necessário que os investimentos sejam feitos hoje.

“Nós corremos sérios riscos de não conseguirmos nos manter no segundo semestre deste ano. Não teremos como pagar energia, não teremos como pagar internet, não teremos limpeza. Teremos que demitir vigilantes. A situação é dramática. Precisamos de uma grande unidade  para que possamos defender o progresso social, cultural e educacional no nosso país. O que está em jogo é que sociedade queremos”, disse.

A reitora da UnB seguiu pelo mesmo caminho. Márcia Abrahão afirmou que a universidade tem vivido um cenário orçamentário dramático nos últimos dois anos. “Apertamos o cinto, revisamos contratos, alteramos a política de subsídio do restaurante universitário de forma muito triste. Fizemos tudo isso priorizando as atividades-fim da universidade: o ensino, a pesquisa e a extensão e mantendo apoio incondicional aos estudantes em condição socioeconômica vulnerável, que representam quase 70% do nosso corpo discente”, lamentou.

“Em abril deste ano, fomos surpreendidos pelo bloqueio de 31% de nosso orçamento da fonte tesouro, num total de R$ 48,5 milhões. Este cenário prejudica o andamento de nossas atividades. Sem os recursos teremos dificuldades para a renovação de contratos e pagamento de contas de água e energia, por exemplo”, explicou Márcia.

A reitora também apelou aos parlamentares para que sensibilizem o governo quanto à necessidade de desbloquear o orçamento da universidade, para que seja executado tal qual a lei orçamentária aprovada pelo parlamento para o ano de 2019. “É fundamental  o apoio do parlamento para a recomposição orçamentária das universidades e institutos federais”, disse a reitora.

A deputada federal Erika Kokay (PT-DF) afirmou que a solenidade é um pacto, um compromisso da bancada federal do DF com a UnB e com o IFB. “Estamos atuando de todas as formas para impedir que os cortes afetem as atividades dessas instituições. Precisamos revogar a Emenda Constitucional 95, que asfixiou o orçamento público e impediu, inclusive, que as universidade pudessem utilizar recursos próprios”.

A parlamentar sustenta que não se trata de ajuste fiscal, mas de uma intenção política de destruir a educação e os espaços de liberdade de crítica e pensamento.

“O que nós estamos vivenciando hoje no Brasil não é apenas um ajuste fiscal, não é apenas uma crise econômica. É uma intenção ideológica de destruir a educação pública brasileira, a liberdade de cátedra, científica e de opinião”, afirmou Kokay, ao dizer que se trata de uma postura que perpassou, ao longo da história, os governos autoritários.

“Os governos autoritários temem a educação, temem a consciência crítica, a liberdade, a autonomia e a condição de sujeitos de sua própria história”, completou Kokay.

O representante da União Nacional dos Estudantes (UNE), Vinícius Paranaguá, disse que o congelamento da educação é um crime, quando o Brasil fez uma opção recente de expansão do acesso ao ensino superior e técnico, incluindo nas universidades e institutos federais parcelas da sociedade que foram historicamente excluídas.

“Não vamos abaixar a cabeça e parar de lutar. Fizemos protestos vitoriosos nos últimos dia 15 e 30 de maio em defesa da educação pública, gratuita e de qualidade. Estudantes de esquerda e de direita vão continuar de pé para fazer o governo voltar atrás nessa decisão desastrosa contra a educação brasileira”, afirmou, ao anunciar a participação dos estudantes na greve geral do dia 14 de junho.

Participaram da solenidade, os deputados federais Professor Israel Batista, Paula Belmonte, Flávia Arruda, além do senador José Antônio Reguffe.