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Mulheres Unidas em Defesa da Previdência

“Nós só vamos garantir nosso direito à aposentadoria, quando arrancarmos a faixa presidencial do peito do fascismo”, disse a deputada federal Erika Kokay (PT-DF), diante de um Nereu Ramos lotado, nesta quinta-feira (11/4). Mulheres de todos os cantos do Brasil, urbanas, rurais, ribeirinhas, quilombolas, vieram à Brasília participar do evento “Mulheres Unidas em Defesa da Aposentadoria”, organizado pela oposição e os movimentos sociais. 

“O fascismo está atrevido, quer nos roubar os direitos e considerar natural a masculinidade tóxica. Nós estamos aqui para dizer que trabalhamos mais que os homens e, por isso, temos o direito à aposentadoria por tempo diferenciado. Merecemos o direito a uma aposentadoria digna”, completou Kokay.

“Todas as nossas conquistas foram fruto de muita coragem. A coragem das mulheres em marcha vai, sim, derrotar mais uma vez uma proposta nefasta de fim da aposentadoria”, ressaltou a parlamentar.

Por que a nova previdência de Bolsonaro e Guedes é cruel com as mulheres?

Quando analisamos as regras atuais e as medidas propostas pelo governo Bolsonaro, identificamos que as mulheres serão mais sacrificadas que os homens.

No caso da aposentadoria no Regime Geral de Previdência Social (RGPS), mesmo que ambos os sexos percam o direito à aposentadoria por tempo de contribuição e passem a ter a exigência de idade mínima, as mulheres terão que trabalhar dois anos a mais (dos 60 para os 62 anos), se forem trabalhadoras urbanas, e cinco anos a mais (dos 55 para os 60 anos), se forem trabalhadoras rurais. Os homens, ao contrário, permanecerão com as mesmas idades de hoje (65 urbanos e 60 rurais).

O tempo mínimo de contribuição de ambos os sexos também aumentará. Vai passar dos 180 meses (15 anos) para 240 meses (20 anos), no campo e na cidade.

As professoras do ensino básico poderão se aposentar mais cedo, aos 60 anos, desde que comprovem 30 anos de contribuição exclusiva no magistério.

“As mulheres serão muito penalizadas tanto pelo aumento da idade mínima quanto pelo aumento do tempo mínimo de contribuição. Para piorar, a reforma ainda vai rebaixar os valores da aposentadoria com as novas regras de cálculo. As regras de transição também impõem às mulheres mais dificuldades para ter acesso à aposentadoria”, explica Kokay, ao afirmar que a reforma de Bolsonaro é machista e misógina.

“A nova previdência não vai dificultar só o acesso à aposentadoria. Ela também vai restringir e diminuir os valores das pensões por morte, ao acúmulo de benefícios e ao Benefício de Prestação Continuidade (BPC), este último, pago a idosos em extrema pobreza que tenham renda familiar de R$ 249,00 por pessoa”, afirma Kokay, ao ressaltar que em todos esses casos as mulheres serão mais penalizadas que os homens.