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Jungmann foge e não vai à Comissão da Câmara explicar forças armadas nas ruas do DF

A deputada federal Erika Kokay (PT-DF) ficou indignada com a notícia de que o ministro da Defesa, Raul Jungmann, não poderá comparecer à Comissão do Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara (CTASP) no próximo dia 21 de junho, sob a justificativa de que o ministro tem uma viagem marcada para a Rússia nesta data. A parlamentar é autora de requerimento de convocação para que o ministro explique decreto que autorizou as forças armadas nas ruas do DF, no último dia 24 de maio.

“Quem apresentou a data do dia 21 de junho foi o governo. E, de repente, se diz que ele não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo. Isso é um desrespeito! Estou aqui defendendo as prerrogativas parlamentares.  Se estabelece uma viagem na mesma data? Não posso encarar que isso é normal, que isso é natural. O governo não respeita esse parlamento. Só respeita esse parlamento quando é para negociar reformas contra o povo brasileiro e para estabelecer sua própria salvação de escândalos de corrupção”, protestou Erika Kokay, ao afirmar que não apresentou nenhuma resistência para construir um acordo no colegiado, que possibilitou a transformação de convocação para convite, desde que fosse assegurado o comparecimento de Jungmann.

“Penso que se o ministro não estiver aqui no dia 21 de junho, mais uma vez está comprovada a falta de palavra e de compromisso do governo Temer com esta Casa. Não é um compromisso pessoal, é um compromisso com esta Comissão e com o parlamento brasileiro”, criticou Kokay. “As prerrogativas do parlamento estão sendo desrespeitadas. Trata-se do aprofundamento do regime de exceção que está em curso neste País”, completou.

O deputado federal Lelo Coimbra (PMDB-ES), da base do governo, disse que do ponto de vista da presença do ministro há um problema físico. “O ministro estará em uma viagem à Rússia. O ministro não tem o dom da ubiquidade. Houve um equívoco com esse dia 21”, justificou.

O presidente do colegiado, deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), confirmou que a agenda foi marcada pelo governo. “Quem propôs o dia 21 não fomos nós, foi a assessoria do ministro. Há uma situação de fato. O Ministério da Defesa nos comunica que no dia 21 o ministro não estará presente, porque ele não estará no Brasil”, afirmou.

Erika diz que o acordo foi quebrado e que pretende reapresentar outro requerimento de convocação ao ministro no colegiado. Jungmann tem muito a explicar para a Nação e os parlamentares sobre uma atitude remanescente da ditadura militar”.

 

Segundo Kokay, o governo Temer acumula um histórico nefasto de desrespeito ao parlamento. A parlamentar lembrou outro requerimento de sua autoria convocando o ex-ministro da Justiça, Osmar Serraglio, parar dar explicações sobre seu envolvimento em escândalos desbaratados pela Operação Carne Fraca e que também foi fruto de um acordo que nunca foi cumprido. “Osmar Serraglio caiu e não veio dar explicações à essa Casa”, lamentou.